Débora lava a última roupa suja em Cuiabá
Camisa por camisa, Débora foi desfazendo o nó da cesta — e foi assim que decidiu que aquele era o último dia em que lavaria roupa alheia. —
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Dinheiro Sob o Guardanapo de Seda
A brisa salgada da Lagoa Rodrigo de Freitas soprava até dentro do próprio Iate Clube do Rio, onde no primeiro fim de semana de setembro se reuniram mais
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**A Máquina de Lavar da Dona do Terceiro Andar**
— Amor, preciso te falar uma coisa. — Marcelo estava parado na porta da cozinha, girando as chaves do carro entre os dedos sem olhar pra mim. —
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Os vizinhos do alto da Tijuca
**Contado por Marisol Fernandes, a zeladora do prédio Jardim das Palmeiras** Treze anos cuidando deste prédio e ainda assim a gente se surpreende. Faço o turno da manhã,
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# Um Prato de Sopa pela Própria Grana
No prédio em Copacabana sempre cheirava a feijoada alheia — a vizinha do andar de baixo cozinhava dia sim, dia não, e o cheiro subia pela escada até
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Lago Congelado
Três dias depois do enterro da Ana, parei no nosso lago congelado e vi uma mulher de casaco rosa sorrindo como se o luto tivesse me deixado idiota.
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Felicidade solitária em Maragogi
Beatriz tinha trinta e quatro anos e passou o ano inteiro guardando cada centavo que sobrava do salário de fisioterapeuta. Nada de manicure, nada de rodízio de pizza
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Regina vende tapetes na Praça da República enquanto Osvaldo busca trinta mil reais para salvar Luana
Meu nome é Regina, tenho cinquenta e oito anos e trabalho há dezenove anos na feira de artesanato da Praça da República, em Belo Horizonte, todo primeiro sábado
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Sombra que Não se Apaga
Trabalho havia dezoito anos na portaria do Edifício Girassol, na Zona Norte de Fortaleza — desses prédios de seis andares, sem elevador, com aquele cheiro de café passado
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Numa terça-feira de manhã, quando o ar em Copacabana já estava pesado e úmido, coloquei o pão de fermentação para esquentar no forno e me peguei olhando para a fotografia na geladeira. Uma foto antiga, meio desbotada, do Daniel e da Michele no casamento deles, dezessete anos atrás. Embaixo dela, sete ímãs com diplomas de conclusão de turma de cada um dos meus netos. Sete. Sim, sete netos eu criei sozinha, desde que eram pequenos — a Michele tinha dois anos — até o Rafael, o mais velho, que em dois meses vai ser convocado para o serviço militar.
Daniel era meu filho. Filho único. Ele e a Michele, esposa dele, morreram num acidente de carro na Linha Vermelha, há exatos dez anos no mês que vem.
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